A maioria de nós tem carência de iodo, o que pode causar ou agravar diversos sintomas e doenças. Simples assim.
Iodo – o básico que você precisa saber
17 dos SUPLEMENTOS com mais EMBASAMENTO CIENTÍFICO – IODO
Deixe-me compartilhar mitos e verdades sobre o IODO:
1 – Durante a faculdade de Medicina, sendo aluno da UnB, que era a segunda melhor do país na época, o iodo foi pouco abordado; mencionado em apenas uma ou duas aulas, e principalmente em relação à sua importância na produção de T4. Pouco se falou sobre o T3, que é fundamental. Para mais informações sobre o T3, visite: https://icaro.med.br/t3/
2 – No entanto, é importante saber que “a pele contém 20% de todo o iodo do corpo, 32% estão nos músculos e 35% no tecido adiposo. O iodo está presente em diversas partes do corpo, mas tende a se acumular nos tecidos glandulares, sendo na tireoide e próstata nos homens, e na tireoide, mamas e ovários nas mulheres”. Além disso, o iodo é essencial para a imunidade e a sudorese, fundamental para o controle da temperatura do corpo e a desintoxicação.
3 – Portanto, níveis adequados de iodo são fundamentais para a saúde de várias maneiras diferentes, mas essa informação é geralmente ensinada apenas em bons cursos de pós-graduação. Muitos profissionais de saúde ainda não têm acesso a esse conhecimento ou não o aceitam.
4 – Há discussões de que a ingestão de iodo pela população brasileira é excessiva, mas ingerir um nutriente não garante que ele seja absorvido pelos intestinos, metabolizado e incorporado da maneira correta no organismo. Além disso, comentaram que as crianças brasileiras, em um estudo de 2001, excretaram muito iodo na urina. No entanto, medir apenas a excreção não assegura a suficiência ou o excesso de iodo onde ele é necessário. Em meu consultório, tenho observado uma maioria de pacientes com deficiência de iodo e sintomas compatíveis. Isso é facilmente detectável por medidas adequadas na pele (exame que realizo no consultório) e na saliva. A dosagem no sangue e na urina também identifica isso, não apenas em termos de aceitabilidade dos níveis, mas de estarem ideais. Afinal, quem quer ter saúde apenas “aceitável”? Todos desejam uma saúde ótima, e por isso os exames devem seguir o mesmo padrão de excelência, certo?
5 – No organismo, há tecidos que utilizam iodo e outros que usam iodeto. Portanto, a suplementação ideal, quando necessária, deve incluir ambos, algo que é pouco considerado. Além disso, para que o iodo seja adequadamente assimilado pelo corpo, o pH corpóreo geral e, especialmente do sangue, precisam estar dentro de limites aceitáveis para cada tecido. Extremos de pH podem impedir que o iodo, mesmo ingerido adequadamente, chegue onde é necessário ou funcione corretamente. O organismo possui vários sistemas para manter o equilíbrio do pH, como os sistemas-tampão, mas esses sistemas podem ser ineficazes diante de uma grande carga tóxica regular, desnutrição e hábitos de vida ruins. Para mais informações, acesse: https://icaro.med.br/15habitos/. Não basta apenas “estar vivo” e sobreviver para que tudo funcione perfeitamente!
6 – O iodo é uma das principais carências nutricionais do ser humano. Confira as demais carências e busque bons profissionais de saúde para ajudar a corrigi-las – sua saúde depende muito mais desta correção e da otimização de hábitos de vida do que de remédios. Para mais informações, visite: https://icaro.med.br/nove-nutrientes-essenciais-para-vida/.
ATUALIZAÇÃO: JULHO/2026
Hoje, uma atendente de farmácia disse a uma paciente minha que, caso não houvesse Lugol ou Iodoral para preparar a prescrição que emiti, ela poderia utilizar apenas iodo quelado no lugar.
Mas isso NÃO é verdade.
Iodo quelado e iodeto de potássio não são a mesma coisa. Eles possuem papéis distintos no organismo, o que justifica a associação entre ambos em diversas estratégias de suplementação.
A seguir, estão os principais pontos para compreender essa diferença e a justificativa para o uso conjunto, obviamente quando o paciente apresenta necessidade de reposição, algo comum:
1️⃣ Diferenças fundamentais
✳️ Iodeto de potássio (KI): É uma forma inorgânica de iodo. Possui alta biodisponibilidade e é a forma utilizada preferencialmente pela tireoide para captar o iodo por meio do simportador de sódio-iodeto (NIS), contribuindo para a síntese dos hormônios T3 e T4.
✳️ Iodo, frequentemente chamado de “iodo quelado” ou iodo molecular: É a forma elementar, I₂. Diferentes tecidos do corpo possuem afinidades distintas. Enquanto a tireoide utiliza preferencialmente o iodeto, outros tecidos, como as mamas, a próstata, o estômago e as glândulas salivares, apresentam demanda significativa por iodo molecular.
2️⃣ Por que a associação é considerada mais “completa”?
A lógica por trás da combinação, frequentemente encontrada em soluções como o Lugol ou em fórmulas manipuladas específicas, está relacionada ao tropismo tecidual.
✳️ Sinergia entre os tecidos: Como diferentes glândulas e órgãos utilizam o iodo de maneiras distintas, fornecer apenas iodeto de potássio pode suprir a necessidade tireoidiana, mas deixar outros tecidos com déficit de iodo molecular.
✳️ Captação pelo NIS: O entendimento fisiológico é de que o organismo se beneficia da presença de ambas as formas para atender adequadamente às necessidades de iodo em todo o corpo, e não apenas no eixo tireoidiano.
3️⃣ Considerações importantes
Embora a associação seja utilizada com o objetivo de oferecer uma cobertura mais ampla, é fundamental considerar os seguintes aspectos:
✳️ Função tireoidiana: A suplementação de iodo não deve ser feita de forma indiscriminada. Em pacientes com autoimunidade tireoidiana, como na tireoidite de Hashimoto, o uso inadequado de iodo ou iodeto pode, em alguns casos, exacerbar a inflamação da glândula.
✳️ Dose: O excesso de iodeto pode bloquear temporariamente a produção dos hormônios tireoidianos, fenômeno conhecido como efeito Wolff-Chaikoff. Trata-se de um mecanismo de autorregulação que, quando estimulado de forma crônica, pode ser prejudicial.
✳️ Individualização: A decisão de prescrever a forma quelada, o iodeto ou a combinação de ambos depende do perfil do paciente, dos níveis de iodo urinário, dos hábitos de vida e do histórico clínico, especialmente quando há doenças tireoidianas preexistentes.
Em resumo, do ponto de vista da distribuição sistêmica, a combinação das duas formas pode oferecer uma cobertura mais abrangente aos tecidos que dependem de iodo. No entanto, essa conduta deve estar sempre alinhada a um acompanhamento clínico cuidadoso, com monitoramento próximo da função tireoidiana.


